And I don't even care: Rum e revelações ›

aaronhaspiel:

Mais um gole. Um pouco mais controlado dessa vez, mas mesmo assim comecei a sentir uma leve dormência na mão – não era um bom sinal. Comecei a desconfiar de que Jon estava fazendo de propósito; tentando me embebedar para que eu falasse por que estava estranho, mas não podia evitar os goles quando ficava nervoso. Qualquer coisa na minha frente serviria para eu poder desviar o olhar dele – era investigativo e concentrado, e suas palavras tentavam me conduzir a dizer exatamente o que eu não queria.

Mas o que ele queria que eu dissesse?

Perguntei-me como ele tinha descoberto que havia algo a ser dito em primeiro lugar, mas conclui que devia estar estampado no meu rosto já há algum tempo. Ou ele só notou minha distância incomum e minha personalidade quieta acentuada. Mas de qualquer forma, não tinha como ele saber o que era. Ele não sabia. Só está tentando me fazer falar alguma coisa.

Como, obviamente, não havia mais saída, resolvi fazer pelo caminho mais fácil para mim, e difícil para ele. Ergui uma sobrancelha e dei um sorriso de lado, apoiando o cotovelo na mesa – pronto para começar um jogo.

- Então vamos ver. O que você acha que é? – Devia aparentar confiante, mas parte de mim ainda queria tremer de nervosismo.

Enquanto pensava no que responder, tomei um gole do rum. Eu estava sendo subjetivo e observando as reações de Aaron, mas agora isso não me serviria. Ele pensava estar virando o jogo e tomando o controle.

Vamos ver onde isso ia dar.

- Eu esperava que você me dissesse. – respondi simplesmente.

Desviei o olhar, aparentando mágoa, e fitei o salão. Involuntariamente lembrei da primeira vez em que vim ao Três Vassouras com Aaron. Bebemos cerveja amanteigada e ele ficou com bigode de espuma. Depois nós começamos a rir, despreocupados, alegres.

Saudade dos bons tempos.

- Sei que alguma coisa aconteceu. – falei, ainda sem olhá-lo. – Seria estupidez sua pensar que eu não perceberia.

Aaron não era nada bom em disfarçar.

- Apenas achei que você conversaria comigo. 

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aaronhaspiel:

- P-pe… Perce… – Não consegui terminar a frase; simplesmente ficou presa nos dentes.

Dei outro pequeno gole no rum, mas logo mudei de ideia e dei uma golada maior. O liquido pareceu me aquecer por dentro, deixando um sabor estranho na boca e contorcendo minhas sobrancelhas. Seus olhos me fitavam profundamente, provavelmente analisando minha reação. Por um momento, fiquei sem o que dizer e desviei o olhar, sentindo meu rosto ficar quente e vermelho. Mas depois analisei a situação e pensei melhor.

Não tem como ele ter certeza de nada.

Até onde eu sabia, ele não tinha conhecimento de nenhum feitiço que o desse a habilidade de ler minha mente, então ele, no máximo, estaria trabalhando em cima de algum palpite. Quase me pegou, Jon.

- Eu não sei do que você está falando. – Tentei soar o mais confiante e verdadeiro possível, mas temi que já tivesse estragado qualquer chance de convencê-lo quando gaguejei em primeiro lugar. Voltei a fitá-lo nos olhos e esperei por sua resposta.

Como esperado, ele pegou a isca. Aaron ficou abalado, e ainda que tentasse retomar o ar confiante e passar uma imagem de segurança, estava estampada em seu rosto a instabilidade.

- A dizer pelo seu gaguejar, você sabe muito bem. – respondi mantendo o sorriso e a postura.

As coisas estavam saindo melhores do que eu imaginava e se continuassem assim, talvez ele dissesse tudo de uma vez. Não foi preciso muito para fazê-lo corar e gaguejar.

Imagine o que faria embriagado então.

- Vai realmente mentir pra mim? – indaguei com o olhar penetrante. 

Ele estava escondendo alguma coisa, eu podia ver isso. Ponderei sobre o que poderia ser, mas não tinha como ter certeza até Aaron confirmar. Porém fazê-lo abrir o jogo não seria fácil. 

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aaronhaspiel:

Sentei-me na cadeira em frente a Jon, deixando o casaco e o cachecol do lado. Ele parecia um pouco inquieto, talvez nervoso, mas ignorei o fato e olhei em volta. Só quando ele chamou o atendente e levantou sua caneca é que percebi que ele já estava bebendo algo antes de eu chegar, e agora ele estava sugerindo que eu bebesse também. Pensei um pouco antes de responder, mas assenti com a cabeça, concordando em pedir o mesmo que ele: rum com groselha.

Não parecia que isso ia dar certo.

- Sim, tudo bem. – Respondi, um pouco distraído e inexpressivo. Já havíamos bebido juntos antes, mas alguma coisa, que eu não saberia explicar, parecia diferente. Não pude dizer se algo realmente havia mudado ou se era apenas minha impressão. Devolvi um sorriso meio de lado e dei um pequeno gole na bebida forte e doce. – E com você, tudo certo?

Tentei analisar sua expressão, mas, novamente, não consegui interpretar exatamente no que ele estava pensando.

Pendi a cabeça para o lado e concordei em silêncio, com um aceno rápido. Peguei a caneca e tomei um gole do rum, guardando o resto da bebida para depois. Mirando o redor do salão vagamente, pensei se ia direto ao ponto ou não.

- Parece que faz muito tempo que não temos uma noite tranquila, não é? Muitas coisas aconteceram. Estão acontecendo. – eu disse com o olhar distante. Então olhei para Aaron, com um sorriso irônico e os olhos provocantes. – Com você também.

Acho que sutileza não é uma qualidade minha.

- Eu percebi.

Na verdade, eu não tinha percebido nada, a não ser que ele estava estranho, mas quis que Aaron pensasse o contrário. Talvez se desestabilizasse e falasse abertamente, sem que eu precisasse ter de recorrer ao rum. 

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aaronhaspiel:

Um grupo de pessoas sentado num banco da pequena praça conversava alguma coisa sobre o fim do mundo, cada um dando sua opinião sobre o que faria se soubesse que só lhes restava mais um dia de vida e supondo sobre o caos que se instalaria nos pilares da sociedade. Não prestei muita atenção nas opções discutidas, mas me entretive com o assunto por um tempo em pensamentos particulares enquanto andava em direção ao Três Vassouras. O que eu faria se o mundo fosse acabar? Era realmente algo a se pensar.

Arrumei meu cachecol pela terceira vez no pescoço. Era uma noite relativamente fria, daquelas que te dão vontade de ficar lendo um bom livro na cama e se cobrir com seu cobertor preferido; por isso não pude imaginar o motivo de Jon ter insistido para que fossemos a Hogsmeade hoje. Tudo bem que era um passeio bom, apesar de quase sempre requisitar alguma interação interpessoal, mas, especialmente nesses dias, eu não me sentia com tanta vontade assim de sair. Depois das tantas complicações recentes, acabei ficando um tanto pensativo, introspectivo – digo, mais do que o normal –, e posso ter chegado a uma conclusão sobre alguns assuntos.

E lá eu estava entrando no estabelecimento. Um ar quente e agitado bateu em meu rosto assim que passei pela porta, me forçando a tirar o cachecol e o casaco. Procurei por um tempo, tentando encontrar um rosto conhecido. Encontrei dois, mas não eram esses que me interessavam. Andei um pouco pelo lugar para procurá-lo, quando finalmente o achei sentado numa mesa no canto com seus braços cruzados e o rosto inexpressivo. O encarei por um momento e tentei um sorriso, tratando logo de ir em sua direção para cumprimentá-lo.

Acenei com a cabeça para que ele se sentasse na cadeira a minha frente. Me remexi um pouco inquieto, desviando o olhar. Vê-lo calmo como aparentava estar, fazia com que eu me achasse um canalha por querer embebedá-lo.

Mas eu podia conviver com isso.

Afinal, era só rum com groselha.

Assobiei e um atendente veio até nossa mesa. Perguntou o que queríamos para beber e pedi mais rum, levantando a caneca vazia. Sugeri o mesmo para Aaron, mas esperei que se decidisse. Depois que ele fez seu pedido e ficamos a sós, voltei a fitá-lo, com um meio sorriso.

- Tudo bem? 

Rum e revelações

And I feel that time’s a wasted go

So where are you going to tomorrow?

And I see that these are lies to come 

Sussurrei enquanto fitava a caneca em cima da mesa, pensativo. Os últimos dias foram complicados. Primeiro Vic desapareceu, e quando a encontramos, ela tinha pelos. E quatro patas. Também não consegui informação alguma a respeito do monstro que atacou a mim e a Tyrion. Revirei a biblioteca e nada. Minha última esperança era uma carta que enviei a meu tio Ben, que estuda criaturas mágicas. E como se não bastasse, Aaron estava estranho, distante.

Would you even care? 

Mesmo sem sede, tomei metade do rum de groselha em um gole só. Talvez eu quisesse ficar bêbado, não sei. Continuei a sussurrar a música, sem muito que fazer. 

And I feel it

Fomos liberados para vir a Hogsmeade e chamei Aaron para vir me encontrar no Três Vassouras. Queria saber qual era o problema com ele. Mas, sabendo que desabafar não é o forte dele, maquiavelicamente pensei deixá-lo bêbado - só o suficiente para que pudesse contar o que estava acontecendo. Talvez desse certo.

Terminei de beber o rum e cruzei os braços diante do peito. Pensei em pedir outra bebida antes que o rapaz chegasse, mas não o fiz. Ele estava lá. Ergui o rosto e o encarei, inexpressivo.  

Quem está a fim de uma festa hein?

iamdomi:

ooc: eu tentando reanimar vocês. UHAUHUAHHUAUAUHAHUAUHA saudades daqui rs

Vai ter doces? 

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vic-delacour:

Tyrion me fitou com os olhos negros e curvou seu corpo,me indicando para ir com ele para fora de nossa gruta. Tyrion parecia animado,e estava praticamente correndo. Senti um cheiro familiar,mas ao mesmo tempo sabia que aquele aroma era de alguém que eu não sentia faz muito tempo…antes de minha vida lupina.

Jon estava na caverna.

Parei subitamente no meio do caminho e olhei para o chão,procurando controlar meus sentimentos. Havia sentido muita falta de Jon,e cheguei a temer o seu estado de sua saúde. Tyrion veio em minha direção e esfregou levemente o seu focinho no meu,me encorajando a seguir em frente.

Meu olfato não me enganou,e Jon realmente estava na caverna,junto com Aaron,seu amigo e salvador. Aaron fez um pequeno carinho em minha cabeça,e fechei os olhos,me sentindo feliz pelo doce contato com Aaron. Eles trocaram uma palavra sobre como estavam surpresos comigo e andei lentamente em direção de Jon. Precisava mostrar que estava presente, e Tyrion havia me ensinado sobre isso. Soltei um uivo,triste e choroso ao ver que ele ainda estava ligeiramente fraco e havia percebido o quento havia sentido sua falta.

Rocei a cabeça na perna dele,pedindo um carinho. Antes que ele pudesse me acariciar,apoiei minhas patas dianteiras em seu peito e encarei Jon,concentrada em passar a informação que precisava. Me concentrei no dia que fui transformada,na dor que havia sentido e o meu vestido jogado rasgado no chão. Ele tocou o pelo atrás da minha orelha,e o toque despertou nele um olhar surpreso.

-Vic…-Ele havia me descoberto. Ergui meu corpo,e tentei abraçar Jon da forma humana,e ele se ajoelhou,me permitindo colocar minhas patas em seus ombros. Encaixei meu focinho no seu ombro também e soltei um pequeno uivo feliz.

Victoire era a loba.

Com nosso contato, pude ver toda sua transformação. Se alguém me contasse, eu não acreditaria. Mas ainda faltavam muitas lacunas para preencher nessa história.

Ajoelhei-me e a loba apoiou as patas e o focinho em meus ombros, uivando. Aliviado e feliz por tê-la encontrado, dei-lhe um forte abraço. 

- Achei você.

Fiquei alguns instantes ali, junto à ela acariciando seu pelo. Era tão bom saber que estava bem, ainda que agora tivesse quatro patas, cauda e focinho. Tudo depende do ponto de vista. E o importante, é que ela não estava ferida. 

- Vou descobrir um jeito de fazê-la voltar ao normal. 

Afastei o rosto e encarei Vic, com toda segurança possível. 

- Eu prometo. 

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aaronhaspiel:

Seguimos o lobo por pouco tempo até que a trilha se ampliou e resultou numa caverna. A entrada não era muito larga, mas, como a varinha não podia iluminar todo o interior, presumi que por dentro ela aumentaria. Tyrion entrou e, antes que pudéssemos segui-lo, voltou acompanhado. Era uma loba, provavelmente a que havia marcado as pegadas extras que havíamos seguido.

Não pude evitar pensar que ela fosse uma espécie de namorada do lobo, mas não me pareceu provável – ele a teria apresentado antes, eu acho. Ignorei o pensamento e devolvi o olhar de Jon, dando de ombros e me aproximando lentamente da loba. Por algum motivo parecia importante para Tyrion que achássemos o lugar, então tentei ser cuidadoso e acariciei levemente a cabeça dela, que fechou os olhos, parecendo gostar daquilo. Algo parecia familiar, mas devia ser só uma impressão.

- Por isso eu não esperava. – Afirmei, surpreso, me aproximando novamente de Jon. – Quem será ela?

Eu não fazia ideia da existência da loba até momentos atrás. E era muito estranho que ela aparecesse justamente agora, com tanta coisa acontecendo. Tyrion tinha um motivo para mostrá-la para nós, mas ainda não sabíamos por quê.

- Se eu soubesse… – respondi, pensativo.

A loba veio andando devagar até mim e Tyrion grunhiu, como se aprovasse nosso contato. Ela deu um pequeno uivo, triste e choroso. Parou diante de mim e roçou a cabeça em minha perna, como se pedisse carinho. Estendi a mão, mas parei quando ela se ergueu e apoiou as patas em meu peito, me encarando com seus grandes olhos azuis. Então toquei o pelo atrás de sua orelha. Instantaneamente imagens surgiram na minha cabeça.

Era ela. 

- Vic…  

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aaronhaspiel:

De repente, Jon segurou meu braço num sinal para que eu parasse de andar. Por um momento não entendi o que era e fitei sua mão, confuso, mas logo comecei também a ouvir um som. Foi só quando ele se aproximou mais que pude reconhecer – era o som de patas contra o chão e alguns galhos pequenos sendo quebrados. Fiquei alerta e aumentei a luminosidade, torcendo para que fosse Tyrion.

Jon chamou seu nome e, depois de alguns segundos, o lobo conhecido apareceu.

Não contive o sorriso de alivio – tanto por ele estar bem quanto por não ser uma ameaça. Corremos em sua direção e o corvino se aproximou, acariciando-o atrás da orelha. Apesar de alegre, Tyrion parecia agitado por algum motivo. Assim que Jon se levantou, o animal começou a andar, mas logo parou e olhou de volta para trás, nos esperando – como se estivesse tentando mostrar um caminho.

- O que será que ele quer dizer? – Olhei para Jon, buscando por sua opinião. – Parece que ele quer nos levar a algum lugar.

Era Tyrion. Contente por tê-lo encontrado bem, agachei-me ao lado do lobo e acariciei seu pelo. Tive medo de que algo tivesse acontecido com ele naquela noite. Logo me levantei, pois ainda sentia um pouco de dor,  e observei Tyrion se afastar, indo na direção da trilha que eu e Aaron seguíamos.

- Vamos. - dei de ombros.

Acompanhamos o lobo pelo caminho de pegadas até uma caverna. Devia ser ali o abrigo dele; afastado, calmo e silencioso. A luz era precária e mesmo com a varinha iluminando não conseguimos ver muita coisa. Tyrion entrou na gruta e me perguntei se não devíamos entrar também, mas antes de me decidir, ele voltou acompanhado de um outro lobo. Correção, uma loba. Ela era pequena, branca e esguia.

Olhei para Aaron, sem saber o que fazer.

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aaronhaspiel:

Jon começou a andar, então apenas revirei os olhos e o segui. Quando ele percebeu que estava sem a varinha, não pude evitar um sorriso e passei a andar ao seu lado para iluminar o caminho para os dois, aumentando a potência da luz.

- Eu estava me perguntando a mesma coisa. – Respondi, percebendo uma pequena nuvem se formar com a minha respiração.

À medida que o tempo passava e a noite escurecia, a Floresta ficava cada vez mais fria. As sombras mudavam enquanto andávamos, tornando qualquer barulho uma ameaça – uma razão para afiar a atenção – e o fato de só termos uma varinha não melhorava em nada a situação. Contra qualquer perigo que surgisse, estaríamos em desvantagem.

- Nós deveríamos ter pegado sua varinha no caminho, pode ficar perigoso aqui.

Fiz uma careta e resmunguei ao ser pego de surpresa por Aaron, que surgiu do meu lado iluminando o caminho. Então seguimos o resto das pegadas em silêncio, sentindo o frio aumentar e atentos à qualquer barulho. Mentalmente lamentei não ter pego um casaco melhor, e claro, não ter pego minha varinha.

- Pois é. – respondi um pouco rabugento. Eu estava congelando, ferido, sem varinha, e preocupado. Não tinha muitas esperanças de que as coisas fossem melhorar.

Mais adiante escutei um som familiar. Patas se arrastando no chão. Segurei o braço de Aaron, o impedindo de seguir em frente.

- Tyrion? – chamei.

Se fosse o lobo preto, ótimo, estávamos a salvo. Mas se fosse o outro lobo, o desconhecido, não tinha tanta certeza assim. Melhor era não arriscar.